terça-feira, 28 de outubro de 2008

Tradução de olhares.

Pensamento confuso,
Sentimento sugado,
Saudade sentida.
Traduzi seus olhares,
Descobri imagens falhadas,
Mas eu gostei.
Finge não sentir,
Mas seu olhar diz
O necessário para desistir
Do que se pode conquistar.
Aprendi que fazer um sentimento
É cultivar uma dor,
E cuidar de uma dor,
É crescer sem amor.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Poder de um olhar.

Noites inteiras pensando em você,
Vidas inteiras sendo vividas,
Amores eternos construídos.
Paixão, eternamente paixão,
Nossos corações que se vão.

Seu olhar me acaricia a alma,
E me entorpece numa canção,
E fico alucinada pelos cantos
Sem pensar, nem falar,
Apenas em te olhar
Eu consigo gostar.

Medo entorpecente.

Se fechar os olhos pode sentir,
Se fosse normal até pensaria em te querer.
És tão belo e insensato
Que às vezes sinto te perder.

Foi tão mágico
Quando nossos lábios se tocaram
E minhas pernas ainda trêmulas
Te buscaram ao amanhecer.

Eu não ousarei acariciar-te,
Simplesmente um medo de me perder
Novamente em ti,
Me impede e repulsa.

Tudo se torna nítido agora,
E sei que você não é a esperança
Que faltava para a luz da Lua
Brilhar novamente irradiante.

A minha felicidade vem à tona
E para o seu desespero,
Eu ainda não consigo sentir você
Intensamente.

Indagações do inexistente.

Às vezes aceitar que tudo
Foi em vão, dói.
Aceitar que tudo que você
Fez e faz, não tem importância,
Porque foi tudo jogado fora.
Seu amor idolatrado
Já não faz mais diferença.

Em algum lugar do passado
Eu ainda vejo como tudo parecia ser,
Mas não era.
Sempre fomos definitivamente separados,
E não seria agora que ficaríamos juntos.

Não tentarei voltar no tempo
Para mudar o que realmente somos agora.
Você me deu a luz
Que me jogou na escuridão,
Seu eterno brinquedo.

Você foi o êxtase que me trouxe
O arrependimento,
Mas que na verdade
Apenas me jogou de uma forma
Mais delicada e surreal.
Mas agora só restaram sobras.

Sobras muitas vezes indeterminadas,
O que para mim
Não fazem o efeito necessário.
Sua grandeza de caráter
Já não marca sua determinação.
Indagar porque da sua partida
Para mim já não faz sentido.

Intensidade das palavras

Explodindo de vontade
De te dirigir a palavra,
Evidente que é saudades,
Mas controlarei.

Eu nunca aprendo nada,
Sempre erro os mesmos erros,
E não me canso de errá-los.
Realidade escolhida.

Os dias nunca foram diferentes,
Nós que sempre mudamos,
Repugnante dor
De se perder em si mesmo.

Tantas suposições exageradas
Eu quis dar por te perder,
Mas a verdade nunca foi tão clara,
e tão real como agora.

Talvez eu ainda canse
De falar sobre você,
Mas enquanto houver dúvidas em seu olhar,
Continuarei a escrever.

Com intensidade nas palavras,
eu ainda não sei dirigir-me a você,
porém me contento,
eu escrevendo alí, você lendo aqui.

Somente à dois olhares.

Menina a vagar as desconfianças
De um pobre inconsciente.
Quanto mais se fala a verdade
Mais mentiras são postas a mesa.

Menino já vagando
Em busca do incerto
Tentativas de sinceras tornam-se desconfianças
Como ser transparente, ainda que inseguro.

Transparência exposta
Em únicos olhares miúdos e insignificantes,
Mas que seguram
Um amor doentio.

Atitudes retraídas,
O desconhecido vem à tona
Isso amedronta, repeli, tudo estático,
Não existe coragem para iniciativa.

Reprimida de tentar,
Agora não mais sozinha,
Junta as mãos e escorre o suor,
Jamais imaginava ser difícil assim.

Com cuidado e sem medo,
Olha ao seu redor,
Tudo normal e vazio,
Porém uma tentativa com vida.

São fatos, atos, cuidados,
Formados apenas em uma mente,
Crescidos apenas em dois coração,
Sentidos somente a dois olhares.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Uma história sem fim

Como se fosse fácil
Você chega e faz mudar tudo.
Seu jeito irritante,
Sua voz entre as músicas tristes.
O seu jeito me fascina
Pureza em teus olhos
Tão meigo o jeito de tocar,
O esquecido, novamente real.
Ando procurando saber
O que realmente fazer,
As duvidas apertam a alma
E a neblina cobre meus olhos
Na inocência de saber ou não
Se você realmente diz verdades.
Verdades calejam o que nunca existiu
Onde nem o mecânico tenta parar.
A cada dia me sinto mais e mais sufocado.
Cega a solução?
Voraz a atração?
Onde fui parar para não querer sair.
Rancorosa dor que felizmente
Acalenta meu sofrimento.
Seria eu inconveniente se dissesse
Que sinto sua falta?
Dura verdade que atrai as mentiras.
Tudo é imperfeito, já devia saber.
Mentira em olhos puros quer ver
Onde esticar a mão ao inimigo
Nem sempre vem a carecer.
Os teus olhos não me enganam,
Tua mão macia e quente,
Teu coração bom e machucado,
Encostou e marcou.
Hoje sou apenas mais um vagabundo a vagar
A ausência de uma alma para amar.
De mentiras não quero fintar,
A pureza me tocou de coragem,
E me obriga a vagar, sozinho vagar.
Só começo,
Uma história sem fim.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O céu não é azul

Um mundo cor de mundo,
Uma pele sem assunto,
Uma loucura sem desvio,
Uma fraqueza sem movimento.
A vida não leva a sério.
Voltar para o inicio onde tudo lhe convida,
Onde tudo ainda tinha um pingo de cor,
Aliás, não tenha dó, a vida é colorida,
E tudo tem preto e branco.
Modelos convictos de serem aceitos,
Vida perdida em aceitar sugestões,
Princípios jogados, mas lembrados.
Explique o tempo,
E quando conseguir voltar atrás,
Talvez seja melhor,
Se não, pinta de novo,
Tudo de preto e branco.
Afinal o céu não é azul,
E muito menos a rosa é rosa.

Los hermanos

Adeus você, o vento, quem sabe, vai embora.
Ainda é cedo, a outra primavera é de lágrima.
Veja bem meu bem, o vencedor fingi na hora de rir,
Tão sozinho, do lado de dentro.
Assim será o mundo aos meus pés, desce do sétimo andar,
Um par condicional além do que se vê.
A flor, sem ter você, tem um par de traumas.
Vou tirar você desse lugar.
O ritmo da chuva fez-se mar, santa chuva.
Sentimental o ultimo romance, pois é.
Tenha dó, o velho e o moço sambam a dois.
A morena, Anna Julia, Aline, Bárbara, Melissa,
Descem para a casa pré-fabricada,
Um cara estranho conversa de botas batidas,
Deixe estar.
Quem sabe Romeu e Julieta vão para Hollywood ou Paquetá,
E lá um outro alguém encontrar.
Afinal, todo carnaval tem seu fim.