terça-feira, 30 de setembro de 2008

Perfume

Ainda posso sentir o perfume,
Ainda posso tocar os céus com as mãos,
E por um segundo ouvir sua voz.
Como uma melodia mal interpretada,
O nosso amor fundiu a apenas sentimento,
E eu ainda procuro o eterno.
Se por um momento fechar os olhos
E não mais desviar,
Eu te guio a todas as soluções,
Todas as desventuras e começos.
Uma noite sabe mais que uns dias,
Um olhar sabe mais que um beijo
E um adeus muito mais que uma dor.
Se por mais um momento abrir os olhos,
Eu não mais brindarei o sentimento,
Seguirei o lapidado fuso dos amantes,
Mas só se seu perfume ainda for capaz
De trazer você de volta.

domingo, 28 de setembro de 2008

Na velocidade de um romance

À tarde nunca pareceu tão longa,
As horas nunca pareceram tão inúteis,
Resisti, mas não me curei,
Enterrei, mas não foi.
Ainda por distantes que estejam,
Os medos me perseguem,
Me enganam e me provocam.
Surpresa imaginada,
Inocência enganada.
Modelo de convicção aceita,
Projeto de consciência formada.
Palavras de longas estradas,
Interjeições de curtas caminhadas,
E o coração apertado de incertezas
Ainda não escolheu o fim.
Incerto ou tão certo,
Que questiona sua forma de viver,
Ou apenas questiona você.
Abandona seus princípios,
E abraça os intuitos,
É quando a tarde passa rápido,
Na velocidade de um pensamento,
E as horas correm para te procurar,
É quando você é você,
E não precisa de opiniões para viver.
É quando você aceita,
Não por vontade,
Por cansaço, e falta de certeza.
Jamais imaginaria tudo rápido.
Os meus dias são melhores
Na velocidade de um romance.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Eu, você.

Eu que nunca sei,
Eu que nunca vejo,
Eu que nunca mereço,
Você que nunca sente.
Onde os fracos têm vez,
E os erros perdão,
Onde eu sou você,
E você, eu.
Imaginaria estória,
Não perceberia o sentimento,
Aquele que ainda resta,
E jogaria pela janela,
E tentaria não lembrar.
A verdade não mente,
A realidade não adverte,
O mundo não pára,
Muito menos se importa se você cai,
Gira conforme o compasso,
Tem a cor que você pinta,
E a melodia que você dança.
Não almejaria seu esforço
De entender o universo,
Mas porque tanto trabalho,
Se nem a si próprio você entende.
Eu, você,
Borboleta colorida,
Mundo preto e branco,
Faz de conta que eu te entendo,
Vice-versa.
Pinta de verde, e eu de azul.
Quem sabe não nasce à felicidade.

Recomeço

Quando se conhece o caminho,
Quando se sabe o que deseja,
Não mais se importa com palavras
Que interiormente te ferem e
Esmagam sua esperança de recomeçar,
A vida lhe mostra a razão,
Mostra-lhe a concepção de um pôr-do-sol
Através de obstáculos ultrapassados.
Olhar para traz e não se arrepender
Mas ter certeza que não fará de novo.
Erros incompreendidos em olhares
Perturbados e medrosos,
Um passado temido, porém superado.
Olhar o futuro e não só olhar,
Ver e sentir que vai mudar,
Serão erros novos, pensamentos novos,
Uma vida nova.
Talvez imaginaria, mas recomeçada.

domingo, 14 de setembro de 2008

Erros.

Acordei sem abrir sequer os olhos,

a profundidade do sentimento

não mede a capacidade do orgulho.

Eu jamais pude compreender,

agora muito menos.

As palavras me fogem,

as atitudes me convencem,

as loucuras me entendem.

Insanidade sua me olhar,

loucura minha questionar.

A falta do passado me obriga a querer viver.

A minha fraqueza te atinge,

e a sua liberdade me incomoda.

Tão profundo, tão vazio.

Jamais poderei relevar,

os erros são intermináveis,

e as consequências imutáveis.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Rotina

Rotina não sentir você,
rotina não querer você,
prazer olhar você,
emoção tocar você.
Pureza sentida em mim,
caminho desejado por mim,
prazer olhado por mim,
emoção tocada por mim,
rotina seguida só por mim.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Últimos românticos.

Menino compreendido em só não ser,
menina retida em só ser.
Seus olhos se encontram
e magnéticamente formam um elo desigual.
Regridem cada dia mais,
lutam cada dia menos,
não possuem mais do que vida.
Inspirar, expirar,
fato obrigatório e espontâneo,
que não fazem mais sentido.
Relembrar os momentos os convencem
de não ser mais humanos,
talvez a inquieta lembrança
tenha transmitido o sentido correto.
Desempenham um final sentimental,
talvez os últimos românticos.
Autônomos de seus sentimentos
não sabem se vivem,
ou apenas existem.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sonho

E ela agora já não sabia,
medo incontido de dizer
que a opção mais digna é tentar.
Parece mágica seu olhar,
um gosto de mentira,
embrulhado em papel de presente
Trasposta em lixo rugosamente sujo
jogado em um lugar aparentemente limpo.
Realizei todos os procedimentos
contidos no manual de instrução,
de nada me valeu,
eu sabia montar as peças,
mas não as tinha.
Assinei embaixo da página,
com pingos e lágrimas de vidro,
você leu e não compreendeu,
não me reprime e nem assusta,
só transfere meus pensamentos
pra um lugar onde você não chega
E lá você iria intender,
as peças iriam surgir,
e eu as montaria, você surgiria,
mais uma vez inconstante, dentro de mim.
Aí eu acordaria, nada mais,
mero sonho, talvez quem sabe em outra vida.

Impura gratidão.

Imagino ser discretamente louca,
não intendo seu jeito de misturar
certo e errado.
Talvez o certo é o errado,
mas o errado também é certo.
Fraqueza de dois seres
não se olharem só por não serem mais um.
Ou por apenas não serem mais.
Uma luz que não tem fim,
uma fase de não ter ínicio,
caminha para o fim do túnel,
onde a luz termina, ou se apaga.
Acender a sensação que não se conhece,
e a luz agora também brilha,
talvez por não ter mais túnel,
ou por ter chegado ao final
onde só lhe resta gostar e ser.
O final traz proezas no olhar,
pode ser fatal ou desigual
propositalmente pensar ser puro,
não traz de volta o incostante amor impuro.
Distintamente eu sinto falta,
mas em vão, só por gratidão.

Vaga-lumes

Combinei comigo que não olharia,
Chorei comigo o que não te obrigaria,
Falei comigo o que te falaria.
Indisposta de cumprir promessas,
eu nunca quis te olhar tanto,
nunca quis me obrigar tanto,
e nunca quis te falar tanto.
Um caminho, que as vezes se encontra em outro,
e o que era 2, indiscretamente, é agora 1.
Errar nunca foi difícel como agora,
onde todos querem errar
e saber com você quem e como errou.
Tudo funde uma poesia,
quando não há chão, nem amor, nem calor,
preferível que tudo culmine
para a mais pura e sensata verdade de que
Faz sentido correr atrás das borboletas,
e talvez até dos vaga-lumes.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Metamorfose.

Fácil concordar que você fez o tempo merecer
Não foi simples perder a chance de recomeçar,
mas leva um sorriso pra entender,
e uma lágrima para tentar.

Talvez você conheça todos os sentidos,
eu me sinto bem quando completa meu olhar
e mais do que mostrar os caminhos
eles me guiam pra onde te encontrar.

Fica mais do que comprometido,
Nada mais do que arrependido,
eu sigo seu vazio,
e me encontro em você.

Palavras de um futuro,
atos de um passado,
fatos de um presente,
sutileza da vida te deixar ir.

Metamorfose de um ser,
convite de uma alma,
não vai sem deixar vestigios,
eu te encontro em mim.

Rosa

Olhar no espelho e sentir sinais de que tudo é verdade,
e vacilar em pensar que não pode sentir.
São como chuvas no verão, fortes, mas passageiras.
Sentir saudades de algo que vagamente parece não ter acontecido,
e o mais perigoso é não ter certeza se suportará um sinal.
Não sei como explicar, uma mania, um subterfugio, uma loucura,
vontade de que tudo encontre em um ponto qualquer,
que me remeta a lembrar de você.
Difícel de entender se foi, se vai, ou se fica,
eu preciso te ter denovo
para entender esse vício de caminhar pra lugar algum.
Talvez seja algo indecifrável,
ou uma rosa, apenas, mal-me-quer, bem-me-quer,
cabe a cada decidir o que se prevê o destino.

Razão.

Momentos enferrujados,
eu me avisei,
voamos até onde conseguimos,
mas não tiramos os pés do chão.
A verdade é que o tempo não cura feridas,
o tempo faz elas passarem, e se não?
os não eu prefiro descartá-los.
Essa noite eu sonhei com você,
e nada mas me vale se a realidade não for me dada,
apenas pra eu brincar de que tudo tem um pingo de nós.
Cartas escritas, pseudônimos escolhidos cuidadosamente.
Como deve ser você?
Sem ligar ao menos para o que me resta de sentimento.
Substituir a cada segundo ,
não faz sentido algum,
porque a cada palavra que almeja uma gota de criatividade minha, sabe,
e sabe bem, como pertubar e contrariar todos meus pensamentos.
Criei ilusões para tentar ao menos descrever,
como crianças adultas,
que não sabem se brincam ou se retiram o véu dos olhos,
para ver que na verdade faz sentido sim,
mas são verdades que preferimos não escutar.
É como um disco velho e riscado que canta a mesma música sempre,
uma história antiga que não cansamos de repetir,
tentar acrescentar um final feliz, não que não seja.
Por mais obscuro, eu prefiro seguir o coração.

Não querer crescer.

Passos cegos não vão aliviar
meu coração de cair em tentação de te olhar.
Eu sei que nada mais vai me fazer chorar,
porém eu sinto seu cheiro em cada ser loucamente parecido.
E eu sei, que haverá flores,
mas enquanto elas não chegam,
eu me contento com os espinhos,
que ao contrário, não machuca, constrói.
E eu vou me contruindo, a cada segundo e a cada dia.
Coisas subtamente marcadas pra acontecer,
as vezes não acontecem,
e fatos que jamais deveriam ocorrer
são os mais rotineiros.
Preciso não querer crescer.

Esperar

Difícel contemplar as estrelas,
se a minha maior já se foi.
Difícel olhar pro lado,
e já não ver o que fazia bem.
Ciosamente eu sinto,
curiosamente eu quero
inexplicavelmente eu gosto
e definitivamente eu espero.
Espero o que não vêm,
ou não tem.
Instinto não sentir,
rotina não querer,
destino não gostar,
precisamente esperar.

Dia bom.

Depois de um tempo você começa a enxergar a vida como ela realmente deve ser,depois que a luz no fim do túnel ficou pior que pisca-pisca em árvore de natal, depois de tropeçar, cair, machucar, apoiar o joeho no chão em cacos e levantar, a vida dá um motivo menos clichê para ver que 'dia bom' não precisa ser sexta, e nem necessariamente o dia em que você fica mais velho. Depois de várias festas, vários porres, vários amigos, vários casos e acasos, a vida te mostra que 'dia bom' é a tarde chuvosa solitária e engordativa, é a manhã com duas aulas de matemática, é o tempo que você perde olhando pra TV, é o sol que te aquece, a lua que te ilumina, a chuva que te molha, porque tudo isso não volta atrás. Dia bom é o dia que você acorda respirando, é o dia que você VIVE, é TODO DIA.

Mágica.

Incrível como agora eu sinto
substituível leveza de turbulência,
coração vazio por opção,
mente ocupada por consequência.

Sintonize seu pensamento,
eles trazem sentimentos ancorados,
são seus sinais de cada momento
como uma mágica, montados.

Querer.

Por tempos eu não sentia,
por motivos eu esquecia,
e há dias eu não entendia,
o que me afligia.
É fim de flores,
É começo de amores,
E a tarde com horrores
não mede meus temores.
Verdade que te quero,
verdade que te espero,
por dias não exprimo
o que na verdade sinto.
Olhos que escondem,
olhos que me encontrem,
sentir, tocar, bater,
só me fazem te querer.